Por uso de armas químicas, Síria deve sofrer ataque internacional pelo Mar Mediterrâneo

Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França estão prontos para atacar a Síria em resposta ao denunciado uso de armas químicas na guerra civil em curso no país desde 2010 e que provocou a morte de centenas de pessoas, semana passada, perto da capital Damasco.
O porta-voz de Barack Obama, Jay Carney, disse nesta terça-feira que "o mundo precisa dar uma resposta convicente ao regime sírio, depois do uso de armas proibidas contra civis. Não podemos permitir tal desrespeito a uma lei internacional que proíbe esse tipo de ataque", disse Carney.
O secretário de Defesa norte-americano Chuck Hagel disse que "está pronto para o ataque," caso receba autorização do presidente Obama. Quatro destroyers navegam em direção à Costa Síria pelo Mar Mediterrâneo, além de submarinos. O ataque deve ser feito com mísseis Tomahawk que navegam centenas de quilômetros e mudam de direção durante o voo.
O problema é quem vai autorizar o ataque internacional: China e Rússia devem votar contra a intervenção no Conselho de Segurança da ONU, que só funciona por unanimidade dos cinco membros: Estados Unidos, França e Reino Unido fecham o grupo de decisão do CS.
A outra alternativa seria a Turquia usar o artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte (Nato) dizendo que está sendo ameaçada pelo regime de Bashar al-Assad. A queixa legitimaria o ataque pelas forças da Nato, sem a formalidade do CS da ONU.
Os alvos dos aliados seriam o centro bélico de distribuição de armas; o centro de treinamento de milícias; e os centros militares de comando.
Os russos falam que um ataque teria efeito catastrófico no cenário mundial. Obama teria agendado uma viagem a Moscou para a próxima semana.
Fala-se que pelo menos mil pessoas teriam sido assassinadas em um único dia, por inalação de toxinas que envenenam o cérebro e levam à morte sem derramamento de uma única gota de sangue. Estatísticas de entidades não governamentais dizem que 100 mil pessoas teriam sido mortas na guerra civil e que um milhão de crianças teriam deixado o país sozinhas. Essas informações não puderam ser confirmadas.
Reunidos na capital síria, Damasco, membros da influente Liga Árabe (pró-EUA) convocaram os reponsáveis pelo ataque a se apresentar diante de uma Corte Internacional para julgamento por crimes contra os direitos humanos.
Os detalhes da agonia das vítimas foram lembrados pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, no pronunciamento de segunda-feira. Kerry criticou a matança de civis por armas proibidas desde o final da Segunda Guerra Mundial, nos anos 1940.
"Matar mulheres e crianças, famílias inteiras de maneira indiscriminada é uma obscenidade moral e o mundo civilizado não tolerar essas atrocidades", disse Kerry.
Em tom de justificativa para um ataque, Kerry disse:
"Há uma razão para a proibição dessas armas; há uma razão para que a comunidade internacional tranque esse armamento e deixe de usá-lo em conflitos; e há uma razão para que o presidente Obama tenha alertado o regime de Bashar al-Assad sobre as consequências a serem enfrentadas caso algum governo use essas armas: ninguém pode usar essas armas sem enfrentar as consequências".
O ataque estrangeiro deverá ser feito em questão de horas, dizem os especialistas que acompanham a escalada de violência na Síria. Os analistas dizem que mísseis serão lançados de submarinos e navios de guerra em trânsito por águas internacionais contra alvos militares na Síria.
Segundo estrategistas consultados pelo jornal The Washington Post, “soldados norte-americanos não pisarão em solo sírio. A guerra civil é uma armadilha sem saída à vista”.
O ataque, dizem os especialistas, “deverá ser pontual, contra alvos específicos”.
A Liga Árabe também condenou o uso de armas químicas por parte de al-Assad, abrindo caminho para uma ação estrangeira contra o regime sírio.
Ao rever os vídeos com centenas de crianças mortas em agonia, junto a seus familiares, estirados em salas residenciais ou nas calçadas, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry se declarou absolutamente chocado com tamanha “obscenidade moral” do governo do presidente Bashar al-Assad.
“Essas armas são proibidas; centenas de pessoas se contorcem nos vídeos antes da morte e não vemos uma única gota de sangue. Armas químicas foram usadas em Damasco e o mundo precisa responder a essa atrocidade moral”, disse Kerry, em leitura de documento oficial, na sede do Pentágono, em Washington.
Na mesma segunda-feira, os britânicos manifestaram repugnância pelas mortes de civis; os alemães disseram que ajudarão no ataque e os franceses seguiram o mesmo tom de ofensiva.
O presidente russo Vladmir Putin, aliado de Bashar al-Assad, saiu às pressas de uma reunião em Moscou para falar ao telefone com o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
Veja o pronunciamento do secretário de Estado John Kerry, divulgado pela CNN International
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