Primeira leva de armas químicas é retirada da Síria

A Missão Conjunta das Nações Unidas e da Organização para Proibição de Armas Químicas, ONU-Opaq, confirmou nessa terça-feira (7) a retirada da primeira leva de armas químicas da Síria. Em nota, a coordenadora especial da missão, Sigrid Kaag, explica que o material foi transferido de dois locais ao porto de Latakia para verificação.
Na sequência, as armas químicas foram colocadas em um navio dinamarquês e o trabalho foi escoltado por marinheiros da Dinamarca, da Noruega e da Síria. A embarcação já está em águas internacionais e vai continuar no mar aguardando a chegada de mais material químico.
Segundo a coordenadora da Missão ONU-Opaq, a segurança marítima está sendo fornecida por China, Dinamarca, Noruega e Rússia. Kaag pede à Síria que mantenha os esforços para completar a retirada das armas químicas o quanto antes, de maneira segura.
Ela nota a complexidade da operação e da situação de segurança no país e afirma que a missão conjunta continua coordenando com vários países, em especial com a Síria, todos os passos necessários para a retirada e a eliminação total do programa sírio de armas químicas.
Geração perdida
Também foi anunciada nessa terça-feira (7), o lançamento de uma estratégia de US$ 1 bilhão, equivalentes a R$ 2,3 bilhões, para prevenir que uma geração inteira de crianças se perca na Síria. A iniciativa "Sem Geração Perdida" está sendo apoiada pelo Unicef e pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, além das organizações Salve as Crianças e Visão Mundial.
Os organizadores estão pedindo a governos, agências humanitárias e aos cidadãos de todo o mundo que se tornem advogados das crianças sírias. Eles lembraram que o que está em jogo é evitar que elas tenham uma vida de desespero, menos oportunidades e futuros destruídos.
O chefe do Acnur e ex-primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, disse que uma geração inteira está se perdendo, e que o mundo precisa responder com urgência. A porta-voz da agência, Melissa Fleming, falou em Genebra, sobre a situação dos países vizinhos que estão abrigando os refugiados. Fleming lembrou que parte do problema é que os países estão sobrecarregados. Ela contou o caso do Líbano, onde o sistema escolar está superlotado. Ali, os professores já estão trabalhando o dobro da carga horária para atender às crianças sírias. Segundo a porta-voz, o Líbano precisa de construir mais escolas. Melissa Fleming disse que esta é a situação também da Jordânia.
O Acnur alertou para o caso da própria Síria, onde metade das crianças está fora das salas de aula. Com a estratégia de US$ 1 bilhão, as organizações estão pedindo a doadores e ao público em geral que apoiem os programas de educação e proteção para resgatar as crianças da miséria, do isolamento e de uma situação traumática.
Há quase três anos, as crianças sírias começaram a sofrer as consequências da guerra, Muitas estão sendo vítimas de trabalho forçado, recrutamento em grupos armados, casamentos infantis e violência de gênero.
A campanha das Nações Unidas também está sendo lançada em canais de mídia social com a hashtag #childrenofsyria.
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