Prisões e buscas aumentam expectativa por convocações na CPI Mista da Petrobras

A sétima etapa da Operação Lava Jato, que levou para a prisão 23 pessoas, entre elas executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras, deve esquentar o clima na CPI Mista da Petrobras. Nesta segunda-feira (17), senadores cobraram que a comissão também se aprofunde nas investigações e convoque para depor figuras que possam ajudar a elucidar as denúncias de irregularidades.
A reunião da CPI Mista marcada para esta terça-feira (18), às 14h30. Na pauta, com 408 itens, há requerimentos de convocação de agentes políticos e de pessoas investigadas pela Operação Lava Jato.
O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), ressaltou que aprovar convocações não significa que os depoentes contarão a verdade ou mesmo que falarão. Em setembro, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que vem repassando informações à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal em acordo de delação premiada, esteve na CPI, mas invocou o direito de ficar calado, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os pedidos do presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), de acesso ao conteúdo da delação premiada de Paulo Roberto Costa têm sido negados pelo STF. Atualmente, a comissão aguarda decisão do ministro Luis Roberto Barroso, em mandado de segurança que questiona negativa anterior do responsável pelo processo da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki.
O líder do Democratas, José Agripino (RN), avalia que sem acesso à delação premiada os trabalhos da comissão de inquérito vão ficar sempre atrás das ações do Ministério Público e do Judiciário. Agripino confirmou o interesse da oposição em criar uma nova CPI da Petrobras em 2015. As duas comissões que funcionam atualmente - a mista e a exclusiva do Senado - encerrarão seus trabalhos em dezembro.
Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), a CPI Mista da Petrobras pode encerrar suas atividades agora mesmo, uma vez que já estaria tudo provado.
"A CPMI não vai poder fazer que nem fez com o caso Cachoeira, que ela arquivou. Aqui não, os fatos já estão nas mãos do juiz. Eu diria que a CPMI quase não tem mais o que fazer", disse o senador.
Simon disse, no entanto, que em 32 anos de Senado é a primeira vez que vislumbra possibilidade de punição aos corruptores.
"O Brasil finalmente chegou ao bom senso de entender que onde tiver corrupção existe um corrupto e um corruptor. No Brasil os corruptos vão para a cadeia, são presos, são cassados, perdem mandato. Com os corruptores nunca aconteceu nada. Eu estou aqui há 32 anos, nem a CPI sobre corruptores nós conseguimos formar. Agora, de repente, aparecem os nomes, aparecem as situações", finalizou
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