Programa visa fortalecer a mulher no esporte

No Brasil, em uma população de mais de 206 milhões de habitantes, mais da metade é formada por mulheres (52%). No mercado de trabalho, a proporção se repete: 52,4% mulheres estão empregadas, enquanto, para os homens, o número é de 76,6%. Em lideranças de entidades esportivas brasileiras, porém, como federações e comitês Olímpico e Paralímpico, menos de 1% dos cargos de dirigentes são ocupados por mulheres.
Para mudar essa realidade, garantir a equidade da prática esportiva e dar a oportunidade para que as mulheres insiram-se em postos de diretoria no esporte, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, em parceria com a Universidade do Tennessee e a espnW (vertente da empresa de comunicação esportiva ESPN voltada para a mulher), desenvolveram o Global Sports Mentoring Program. Sob o lema “Strong women, better world” (Mulheres fortes, mundo melhor), o programa se baseia no conceito de aprendizado que prevê a transmissão de conhecimento e experiência por meio de tutores individuais.
A representante brasileira escolhida para participar da iniciativa foi a diretora do Departamento de Planejamento e Gestão Estratégica do Ministério do Esporte, Cassia Damiani, que passou pelo período de um mês de imersão sob a tutoria da diretora de marketing da Proctler & Gamble na América no Norte, Julie Eddleman.
O resultado do período de estudo foi a elaboração de um projeto, com ações voltadas para entidades públicas, sociedade civil e em parceria com a Secretaria de Políticas para Mulheres, que visa introduzir mecanismos legais para garantir o acesso e empoderamento de mulheres brasileiras nas áreas de gestão e prática esportiva. Segundo a diretora do Ministério do Esporte, o plano de ações se alinha à agenda política nacional apresentada pelo Brasil e pela presidenta Dilma Rousseff de equiparar as oportunidades entre gêneros.
“Não há país desenvolvido sem que haja igualdade em oportunidades para homens e mulheres. Atualmente, a mulher não participa dos cargos de liderança nas mesmas condições. É necessária a autonomia de gênero para o empoderamento e a emancipação da mulher, com apoio dos homens. Isso repercute inclusive na economia”, avaliou a diretora.
A expectativa é realizar, ainda neste ano, um seminário interno, reunindo o Ministério do Esporte e a Secretaria de Políticas para Mulheres, da Presidência da República, para compartilhar a experiência. O projeto também será apresentado, nas próximas semanas, ao ministro Aldo Rebelo para definir as ações da pasta.
Modelo norte-americano
A inspiração para o projeto elaborado por Cássia Damiani veio do modelo legislativo norte-americano de incentivo à prática esportiva, denominado Title IX. Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, está a aplicação igualitária de recursos no esporte escolar para meninos e meninas. As medidas de incentivo completaram, em junho de 2012, 40 anos de execução e apresentam resultados consistentes. Segundo o Departamento Americano de Educação da Women’s Sports Foundation, houve um aumento de uma em cada 27 meninas, em 1972, para duas em cada cinco, em 2006, na prática de esporte feminino no ensino médio.
Nos dois últimos anos, o número alcançou sua maior marca: 41% dos praticantes de atividades esportivas nas escolas são mulheres, número bem mais expressivo do que os 36% registrados 20 anos atrás. Além disso, em alguns estados americanos, como Oklahoma, a participação no esporte escolar chega a ultrapassar a masculina.
“Os Estados Unidos foram para as Olimpíadas de Londres com uma delegação que tinha mais mulheres do que homens. Elas conquistaram mais medalhas e foram importantes na colocação do país no ranking olímpico. Isso não é espontâneo. É fruto de um trabalho e de uma série de medidas que geraram a formação de mais mulheres no esporte”, ressaltou Cassia Damiani.
“O objetivo, agora, é consolidar essas medidas, que envolvem mídia, entidades esportivas e o apoio dos órgãos públicos e da população junto às instituições científicas para que, em 2016, possamos anunciar os resultados disso, tanto no alto rendimento quanto no esporte de lazer”.
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