Psicanalista lança livro abordando o transexualismo

No próximo sábado (22), o psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto de Psicologia da USP, Rafael Kalaf Cossi, lançará seu livro “Corpo em Obra”. O livro é resultado de um intenso processo de pesquisa e revela um estudo sobre o fenômeno político-social do transexualismo.
O livro tem como principal público alvo acadêmicos, psicanalistas, psicólogos e outros profissionais.
Segundo o autor, nomes consagrados da psicanálise orientada por Jacques Lacan apontaram o transexualismo como um transtorno psicótico, uma visão que precisa ser reavaliada. “Segundo a psicanálise lacaniana, todo transexual é psicótico e essa não é a verdade. O transexualismo não está, necessariamente, ligado a um transtorno psicótico e é preciso reconhecer isso com urgência. Ao dar esse passo, a sociedade garante ao transexual cidadania, direitos iguais e, mais do que isso, pode ajudar a identificar o tratamento adequado (que pode ser a cirurgia ou não) a cada sujeito transexual, levando em conta a sua singularidade”.
Para chegar ao conteúdo que o leitor confere em Corpo em Obra, Cossi recorreu a seis biografias de transexuais. Aliou a isso, conceitos vinculados ao funcionamento do psiquismo comum e que não se relacionam com a noção da foraclusão como marca da estrutura psicótica. São eles: estágio do espelho; Verleugnung (do alemão, "renegação"); semblante; gozo; e sinthoma.
O transexualismo, para Cossi, ainda é visto com preconceito pela sociedade, assim como são vistas as escolhas sexuais das pessoas que fogem à heteronormatividade. “Tudo o que foge à heterossexualidade ou aos padrões convencionais pode provocar reações adversas e, até mesmo, constrangimentos e marginalização. Há diferenças nítidas entre o transexual e o homossexual que, no caso, não têm relação nenhuma entre si”, comenta. Cabe salientar não é uma determinada prática sexual o que define o transexualismo: podem existir transexuais heterossexuais e transexuais gays ou lésbicas, por exemplo.
Clandestinidade
Inicialmente, o livro expõe a definição clássica do transexualismo e a distinção diagnóstica de quadros clínicos próximos, como o travestismo, questiona a literatura que considera o transexualismo como um fenômeno atemporal e analisa suas especificidades históricas contemporâneas. Em um segundo momento, trata do desenvolvimento da identidade sexual segundo Sigmund Freud e Robert Stoller, que importou para a psicanálise a noção de gênero.
O especialista debate a pertinência da determinação de uma identidade transexual e, finalmente, discorre sobre a clínica que relega o transexualismo ao campo da patologia sustentada pelas teorias de Stoller e de alguns psicanalistas lacanianos. Entre os vários tópicos apresentados há relatos de como o cenário e a procura pelos tratamentos hormonocirúrgicos vêm crescendo a partir da década de 50, abandonando o terreno da clandestinidade. Menciona a complexidade destes procedimentos em homens e mulheres—a procura por eles ainda é maior pelos indivíduos do sexo masculino, já que os resultados são mais funcionais e esteticamente mais satisfatórios do que no caso do transexual feminino que pretende ter seu corpo mais próximo ao de um homem.
Fonte: nVersos Editora
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