Quarenta e seis casos de meningite já foram registrados no sul do Maranhão

Profissionais das redes de saúde estadual, municipal e particular dos municípios da regional de Balsas, onde ocorreram casos de meningite, estão sendo orientados sobre as formas de prevenção e tratamento da doença.
Técnicos da SES reuniram os profissionais da saúde em Balsas para esclarecer dúvidas sobre os sintomas e formas de tratamento da meningite. "É importante esta comunicação com médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem para que possamos ter diagnósticos e tratamentos precisos", justificou o secretário adjunto de Vigilância em Saúde da SES, Alberto Carneiro.
Na região de Balsas foram notificados 46 casos de meningite. Destes, 25 estão confirmados, 13 em investigação e oito foram descartados. Neste mesmo período ocorreram sete óbitos com suspeita da doença, sendo três confirmados e quatro em investigação. "Estamos há seis dias sem casos novos, mas ao mesmo tempo queremos esclarecer a população e garantir que estamos preparados para avaliar e tratar os pacientes que aparecerem", completou Alberto Carneiro.
A meningite é uma doença que causa inflamação no cérebro, trazendo febre, dor de cabeça, vômitos, manchas vermelhas pelo corpo e endurecimento do pescoço. Mesmo sendo perigosa, a enfermidade tem tratamento e prevenção. Por ser uma doença infecciosa, a transmissão só acontece quando há contato muito próximo com quem está doente ou por meio da aglomeração de pessoas em locais fechados.
A infectologista Rosangela Cipriano explicou que a doença meningocócica ocorre principalmente em indivíduos que se infectaram recentemente porque a imunidade dos portadores não é absoluta. E também informou que a meningitidis afeta apenas os humanos. "A infecção se inicia quando o indivíduo inala secreção respiratória originária de portadores de meningococo, na orofaringe ou rinofaringe", explicou.
Vacinação
Técnicos da SES também estiveram quinta-feira (20) nos municípios de São Raimundo das Mangabeiras, Sambaíba e Loreto, locais onde ocorreu a maioria dos casos de meningite. Eles reuniram com secretários municipais de saúde, enfermeiros e agentes comunitários de saúde para esclarecer sobre sintomas da doença, formas de tratamento e solicitar maior empenho nas coberturas vacinais de crianças menores de dois anos.
"O gráfico de meningite está caindo em todos os municípios, mas precisamos ficar vigilantes para o aparecimento de novos casos. E uma das formas mais eficazes de prevenção é a vacinação em crianças menores de dois anos, por ser a faixa mais susceptível. A vacina está disponível em todos os postos de saúde", justificou a superintendente de Epidemiologia da SES, Maria das Graças Lírio.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, os municípios de São Raimundo das Mangabeiras, Sambaíba e Loreto não alcançaram a cobertura vacinal de crianças de zero a dois anos.
Graça Lírio explicou que o bloqueio feito com a quimioprofilaxia nos contatos das pessoas que desenvolveram a doença foi a medida mais eficaz na redução dos casos. "Mas precisamos ficar alertas para o aparecimento de novos casos. Temos que saber reconhecer os sintomas, diagnosticar e procurar imediatamente o posto de saúde e fazer uma busca ativa deste paciente", enfatizou.
Para tratar sobre todos estes procedimentos, a Regional de Saúde promoverá na próxima terça-feira (25), no Rotary Internacional de Balsas, um treinamento para os técnicos municipais da vigilância epidemiológica, atenção básica, laboratoriais e assistência hospitalar dos quatro municípios onde ocorreu o surto de meningite. "É preciso que os profissionais tenham sabedoria para trabalhar para diagnosticar, tratar e dar continuidade ao monitoramento ao trabalho realizado".
A coordenadora de Imunização da SES, Helena Almeida, disse que é inconcebível que uma criança menor de dois anos de idade venha a óbito por meningite. "A vacina contra meningite está no calendário básico de vacinação de toda criança e é uma das formas de prevenção e promoção da saúde. É preciso compromisso de pais, agentes comunitários de saude e profissionais de saúde, na atualização das cadernetas de vacinação", disse.
Como meta para atingir a cobertura vacinal, os secretários municipais e agentes comunitários de saúde comprometeram-se a fazer um rastreamento das crianças menores de dois anos que não foram imunizadas com a meningococica. "Vamos solicitar ainda a parceria dos professores, da comunidade e de todos os profissionais de saúde na identificação dessas crianças, para que possamos vacinar e evitar novos casos de meningite", afirmou a secretária de saúde de Loreto, Nádia Carvalho. Faziam parte da equipe da SES também os enfermeiros André Vasconcelos e Flavinia Marinho.
SES
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