Relembre o caso da morte de Décio Sá, que ainda continua sem respostas

O jornalista e blogueiro Décio Sá, e pai de dois filhos, foi assassinado brutalmente no dia 23 de abril de 2012, às 23h, em um bar na Avenida Litorânea. Décio foi atingido com seis tiros, dois deles na cabeça.
A notícia da morte de um dos jornalistas mais conhecidos do Maranhão, chocou a todos. Dias depois do crime, o Disque Denúncia lançou uma campanha para a identificação e localização do assassino do jornalista.
O Instituto Brasileiro de Combate ao Crime (IBCC), responsável pelo gerenciamento da central Disque Denúncia no Brasil, recebeu doações privada de R$ 100 mil para o pagamento da recompensa, por informações que levassem a elucidação do caso. Sem muita demora, milhares de ligações foram feitas à central.
Após seis dias do assassinato, a Secretaria de Segurança Pública do Estado, monta a Força-Tarefa para investigar a morte de Décio Sá.
O Secretário Aluisio Mendes, anunciou sigilo absoluto nas investigações, sob a justificativa de não atrapalhar no andamento dos trabalhos da polícia.
Comoção
No dia do trabalho, familiares, amigos, e autoridades se vestiram de branco com fotos de Décio Sá na camisa, pedindo justiça. A caminhada atraiu mais de 500 pessoas na Avenida Litorânea.
Manifestantes pararam em frente ao bar onde o jornalista foi morto, e canções preferidas de Décio foram tocadas.
Depoimentos de testemunhas
Três dias depois da manifestação, depoimentos das testemunhas do assassinato caem na internet. Para a polícia a divulgação dos documentos atrapalhou o andamento das investigações que deveriam ser mantidas em sigilo. Na época, as autoridades policiais chegaram a divulgar que outras testemunhas haviam desistido de depor, por causa do vazamento de informações.
Comissão Nacional
O caso atrai a atenção da comissão nacional de direitos humanos da Câmara de Deputados. Uma comissão visita São Luís, mas eles afirmaram que não foram recebidos pela SSP-MA.
Passaram-se 38 dias, e finalmente o retrato falado do suposto assassino do jornalista Décio Sá foi divulgado. No documento, o homem responsável pelos disparos seria de cor parda escura, cabelo escuro liso, e media aproximadamente 1.70m e teria aparência de 28 anos. Duas pessoas chegaram a ser presas provisoriamente.
Prisões
Ainda era de madrugada quando a policia civil chegou na casa de José Raimundo Sales Júnior, o “Júnior Bolinha”. Na casa em um bairro de classe média da capital maranhense bem estruturada, o homem que teria repassado o dinheiro para o executor do jornalista Décio Sá dormia tranquilamente quando foi surpreendido.
O paraense Jonathan de Sousa Silva, de 24 anos, chegou amparado por um forte esquema de segurança. Com ele, atuaram José de Alencar de 72 anos que pagou os 100.000.00 oferecidos para tirar a vida de Décio Sá, Gláucio de Alencar que para a polícia financiava as encomendas de morte; Airton Martins que apresentou o executor ao “Júnior bolinha”, Fábio Aurélio da Silva, o “Buchecha”, homem ligado a Valdênio, que foi preso suspeito de envolvimento no assassinato e solto por falta de provas, mas foi morto com 5 tiros em casa como queima de arquivo. Ainda foi preso o capitão da policia militar Fábio Aurélio Saraiva Silva, foi ele quem repassou a arma usada no crime.
Depoimento Jonathan
Depois de divulgada a identidade do assassino de Décio Sá, a polícia descobriu que Jonathan Silva é um dos maiores pistoleiros do norte/nordeste do país. Aos 24 anos de idade, ele revelou à polícia ter matado pelo menos 40 pessoas.
Jonathan também revelou em seu depoimento, participação de políticos no esquema, no na página três do depoimento do executor, ele afirma: “O serviço tinha partido de Raimundo Cutrim”. E quando foi questionado se Raimundo Cutrim se tratava do deputado, ele confirmou.
Nas páginas seguintes, Jonathan cita outras duas vezes o nome de Raimundo Cutrim. O deputado rebateu as informações e negou qualquer participação no crime.
Reconstituição
No dia 3 de julho do ano passado, foi realizada a reconstituição do crime praticado contra o jornalista Décio Sá. Sob um forte esquema de segurança o assassino confessor do jornalista Décio Sá relatou passo a passo do crime.
No local o criminoso demonstrou frieza e até sorriu durante o trabalho da polícia. Pouco tempo depois a polícia encontrou a arma do crime enterrada no morro da Avenida Litorânea.
Mais pessoas envolvidas
Mais pessoas são citadas nos depoimentos dos acusados. Entre eles, o Policial Federal, Pedro Meireles, foi citado no depoimento de Gláucio Alencar, como um dos mandantes do assassinato do jornalista Décio Sá.
De acordo com a polícia civil, Pedro Meireles estaria ligado apenas a crimes de agiotagem, praticados pela mesma quadrilha que planejou a morte de Décio.
Inquérito
Com 1.970 páginas, o inquérito que conclui o assassinato do jornalista Décio Sá é entregue ao Ministério Público, 8 volumes principais e 23 anexos, 105 pessoas foram ouvidas pela polícia.
Depois da conclusão do inquérito, a polícia civil intensifica o trabalho de investigação de crimes de agiotagem no maranhão. Talões de cheque de prefeituras, notas fiscais, contratos e recibos assinados por alguns gestores municipais encontrados na casa de Gláucio Alencar, fora avaliados.
Operação Detonando
A polícia do Maranhão deflagrou, no dia 13 de junho de 2012, a Operação "Detonando" onde sete pessoas foram presas, a operação envolveu 70 policiais. Entre os presos está o matador de aluguel Jonathan Silva.
Comparsa do executor
No fim do ano passado, o comparsa de Jonathan é preso. Marcos bruno teria sido o responsável por pilotar a moto que deu fuga ao assassino de Décio Sá. Ele contou com riqueza de detalhes a organização do crime contra o jornalista. O elemento recebeu R$ 7 mil reais para levar Jonathan ao local do crime e confirmou o nome de “Júnior Bolinha” como um dos mandantes do homicídio.
A equipe da TV CIDADE tentou em entrar em contato com os familiares do jornalista, mas eles preferiram ficar em silêncio.
A morte do jornalista Décio Sá, autor de um dos blogs mais acessados do Maranhão, chocou toda população maranhense, nacional e internacional.
E algumas perguntas sobre o caso ainda estão sem respostas. Quem ligou para Décio e depois informou ao assassino em que Bar da Avenida Litorânea Décio estava? Segundo informações da Justiça a alguns jornalistas houve esse telefonema.
Por que não houve a quebra do sigilo de mensagens telefônicas entre o "Bolinha" e Gláucio Alencar e entre suas esposas?
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*Com informações da repórter Rayssa Alves
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