Roberto Rocha diz que CPI do BNDES não vai investigar apenas a J&F

O plano de trabalho da CPI do BNDES será apresentado nessa terça-feira (15) pelos senadores Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Roberto Rocha (PSB-MA), presidente e relator do colegiado, respectivamente.
A programação foi discutida com técnicos e deve incluir, além de pedidos de informações e depoimentos, viagens aos países que receberam empréstimos do banco.
O relator da CPI do BNDES, senador Roberto Rocha esclareceu que as investigações não estão focadas exclusivamente nas empresas do grupo J&F, de Joesley Batista, porque analisará os financiamentos concedidos nos últimos 20 anos para empresas atuarem no exterior:
“A nossa CPI visa apurar irregularidades em empréstimos concedidos a empresas nacionais para investimentos fora do Brasil. São bilhões de dólares usados dos brasileiros. Ela não apenas para uma empresa. Eu acho até inadequado isso. Não podemos fazer algo que seja pessoal. Nosso requerimento é impessoal. Impessoal em relação a quem vai ser investigado e qual governo será investigado. Pega períodos do governo do PSDB, como períodos do governo do PT.”
Ele comentou que os senadores terão cuidado para não afetar a imagem do BNDES, que deverá, no entanto, esclarecer os critérios para liberação de empréstimos.
“O BNDES não é alvo da CPI. Nem poderia ser. Nós queremos que o BNDES saia mais forte do que vai entrar. Claro que o BNDES terá de dar explicações sobre a mecânica d concessão desses empréstimos e as decisões em relação a esta ou aquela empresa que será beneficiada tem que ter um critério. E precisamos conhecer quais são esses critérios. Estamos fazendo isso porque o povo brasileiro exige estas explicações."
Os senadores ainda definirão os documentos a serem requeridos e as pessoas a serem ouvidas, entre elas, os donos da JBS. Segundo o presidente, senador Davi Alcolumbre (DEM–AP) e o relator da CPI, senador Roberto Rocha (PSB–MA), a comissão terá um caráter investigativo para apurar as irregularidades na concessão de empréstimos e também propositivo para sugerir uma legislação para coibir o mau uso do dinheiro público.
A CPI do BNDES foi instalada no Senado na quarta-feira (2). De iniciativa do senador Roberto Rocha, a CPI do BNDES vai investigar os empréstimos concedidos pelo banco para empresas brasileiras que levaram seus negócios para o exterior a partir de 1997.
Segundo Roberto Rocha, a Comissão vai analisar, em especial, os repasses feitos a partir de 2007 ao Grupo J&F, holding de várias empresas, e à JBS, todas de propriedade dos irmãos Wesley e Joesley Batista. Foi essa linha de crédito que permitiu aos irmãos Batista internacionalizar suas operações por meio da compra de frigoríficos em diversos países, com destaque para os Estados Unidos se transformando nos maiores produtores de carne no mundo.
Em delação premiada, Joesley Batista revelou o repasse de recursos para o presidente Michel Temer em troca de vantagens no governo, o que foi negado pelo Palácio do Planalto.
Na condição de relator, Roberto Rocha afirmou que a CPI deverá convocar os donos da JBS:
“Certamente o Brasil espera que isso aconteça. Antes de instalar a CPI, o meu gabinete recebeu inúmeros e-mails sugerindo isso. De tal modo, que não faltarão senadores para sugerir que eles sejam ouvidos na comissão. Que isso é uma medida mais que importante, é necessária para esclarecer muitos fatos que ficaram obscuros.”
O presidente da CPI, senador Davi Alcolumbre, disse que as investigações não vão comprometer a reputação do BNDES.
Segundo o BNDES, desde 2005, a JBS recebeu R$ 8,1 bilhões em empréstimos e em compras de ação. A CPI do BNDES terá a duração de 6 meses prorrogáveis por igual período. E contará com a participação de 13 titulares e 7 suplentes.
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