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São Luis levaria 132 anos para completar rede de esgoto, projeta pesquisa

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São Luis levaria 132 anos para completar rede de esgoto, projeta pesquisa

São Luís está em 97º lugar entre as 100 maiores cidades brasileiras no desperdício de água tratada, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira pela ONG Trata Brasil.  
Cerca de 67% da água tratada em São Luis é desperdiçada, o que coloca a cidade entre as quatro piores do Brasil no controle de falhas na transmissão. Teresina desperdiça 54,4%, Macapá, 76% e Porto Velho, 71%.

Faltam 115 mil ligações de novos esgotos em São Luis. A Caema Saneamento Básico executa menos de 1% dessa demanda ao ano, segundo a pesquisa divulgada pelo Trata Brasil: 871 novas instalações e conexões registradas. Por essa medida, a cidade levaria 132 anos para completar o serviço de captação sanitária em todo o município.

Fortaleza, capital cearense, por exemplo, aparece na posição 43 entre as 100 maiores cidades. São Paulo, com 11 milhões de habitantes, ficou em 23. Uberlândia (MG) lidera a pesquisa com 98,97% de atendimento sanitário para uma população de 611 mil pessoas: 97 % de rede de esgoto instalada e 80% canalizados para tratamento.

O trabalho compara investimentos em saneamento básico nos maiores centros urbanos do Brasil e, em todos os quesitos, a capital maranhense está mal avaliada pelos critérios de investimentos aplicados em captação e tratamento de esgotos e novas ligações de água. O estudo projeta ainda quando a cidade estaria com 100 por cento de cobertura nesse atendimento básico.

Os número são reveladores quanto à qualidade do serviço prestado pelas companhias de água e esgoto nessas 100 cidades.

Saiba mais sobre o estudo, veja a tabela completa

Em São Luís, 55% das casas não tem rede de esgoto instalada, o que gera resíduos nos lencóis freáticos e contaminação do meio ambiente. Da rede instalada, apenas 7,9% recebe algum tipo de tratamento, contra 79% da primeira cidade classificada, Uberlândia (MG).

O estudo feito em 2011 revela que a Caema Saneamento Ambiental arrecada cerca de R$ 94 milhões com água e esgoto, mas investe apenas
R$ 7,03 milhões no sistema. Somente  8% do total que entra no caixa da operadora é revertido em investimentos no negócio.  

Por comparação, Teresina arrecada R$ 132 milhões/ano e investe 20% do arrecadado, ou R$ 26 milhões/ano. Outro detalhe que revela a qualidade de gestão é o número da população: São Luis tem 1.027 milhão de habitantes e arrecada menos que Teresina, onde vivem 822 mil pessoas (R$ 132 mi x R$ 94 mi).

Belém (PA), com 1,4 mihão de habitantes, arrecada R$ 97 milhões (pouco mais que São Luis, com R$ 93,7 mi), mas investiu R$ 31 milhões na rede de saneamento básico urbana, ou mais de 30% reinvestido no sistema.

Porto Velho (RO), com 435 mil habitantes, arrecada R$ 32 milhões e investiu R$ 85 milhões, utilizando financiamento fora da receita gerada no município. A cidade tem 34% de rede de água instalada para atender a populaçao.

Comparação de % de esgoto

O atendimento em São Luis é de 85% no fornecimento de água tratada, mas a rede de esgoto atinge apenas 45% da população.

O índice baixo para cobertura de saneamento básico piora ainda mais quando cruzado com outro dado importante na gestão dos serviços: o tratamento de esgotos comparado ao volume de água consumida.

Em São Luis apenas 7,9% do esgoto é tratado contra 16,2% de Teresina.

Na classificação geral, São Luis está em 93º lugar, atrás de Teresina (PI). Como consolo, a capital maranhense está à frente de capitais como Macapá (AP, 98º), Porto Velho (RO, 95º) e Belém (PA, 96º)

Os dados apurados pelo Trata Brasil frustra o plano federal de universalizar a rede de água e esgotos no país, até 2020.

A Caema divulgou nota oficial sobre o tema:

"A atual gestão desta Companhia, em parceria com o Governo do Estado e com o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Murad, vem trabalhando em caráter intensivo, no sentido de melhorar o esgotamento sanitário em todo o Estado.
Na capital, estão sendo investidos recursos do Governo Federal com a contrapartida do Governo Estadual da ordem de 124 milhões por meio do PAC – I (primeira etapa), nos sistemas Anil, Vinhais, São Francisco e Bacanga. Com a conclusão dessas obras o tratamento de esgoto será elevado para 30%.

Está em fase de aprovação pelo Governo Federal, por meio do Ministério das Cidades, recursos da ordem de 214 milhões, o projeto para a conclusão das obras de esgotamento sanitário PAC II (segunda etapa) dos Sistemas Anil, Vinhais, São Francisco e Bacanga. Após a conclusão dessas obras, o tratamento de esgotos aumentará para 60%.  
Esse projeto (PAC II)  já está concluído e deverá ser licitado no primeiro semestre de 2014
".

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