Plataforma para mulheres do Coroadinho faz mapeamento sobre violência doméstica

Já está disponível para as mulheres do Coroadinho, em São Luís, uma plataforma digital criada pela Casa das Pretas, espaço de atuação do Coletivo Mulheres Negras da Periferia. A ferramenta reúne informações sobre violência doméstica, orientações sobre direitos e acesso à rede de proteção, além de uma pesquisa anônima que busca compreender e mapear a realidade das mulheres do território que vivenciam situações de violência.
A iniciativa foi lançada nesta semana, no Poder Judiciário – Centro Administrativo do Tribunal de Justiça do Maranhão, e já está disponível para acesso.
Mais do que reunir informações, a iniciativa pretende produzir conhecimento sobre uma realidade que muitas vezes permanece invisível. Por meio do questionário, mulheres podem participar de forma totalmente anônima, sem informar nome, e-mail ou qualquer dado que permita sua identificação. As respostas vão contribuir para compreender melhor como a violência doméstica se manifesta no Coroadinho e quais são as principais necessidades dessas mulheres.
O espaço digital apresenta conteúdos sobre violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, além de informações sobre a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, direitos das mulheres, medidas protetivas e formas de buscar atendimento. Também reúne perguntas e respostas sobre situações de violência e permite contato direto com a Casa das Pretas.
A plataforma ainda disponibiliza um caminho para iniciar uma conversa pelo WhatsApp com a Casa das Pretas. A ferramenta não envia nem armazena a mensagem: a própria mulher decide se e quando deseja encaminhá-la. Em situações de emergência, porém, a orientação é recorrer aos canais oficiais de atendimento e denúncia. Em caso de risco imediato, a recomendação é acionar o 190. Para orientação e denúncias, está disponível o Ligue 180.
Os números ajudam a dimensionar a violência contra as mulheres no país. Quase 29 milhões de brasileiras foram vítimas de violência doméstica ou familiar em um período de 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Já a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que apenas 4% das brasileiras declararam espontaneamente ter sofrido esse tipo de violência no ano anterior.
Criada em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa, a Casa das Pretas atua no Coroadinho com ações voltadas ao fortalecimento e à emancipação de mulheres, crianças e juventudes periféricas em situação de vulnerabilidade. O espaço integra iniciativas como o Tambor de Crioula Filhas de São Benedito, Tambor de Crioula Mirim, Cine Coroadinho, Pretoteca, Cozinha Solidária Ancestral, Inclusão Produtiva e Laboratório Antirracista.
A plataforma foi desenvolvida por Diego Amaral, estudante do 4º semestre de Segurança da Informação de uma universidade em São Luís, como projeto de extensão acadêmica. A construção utilizou HTML e ferramentas de inteligência artificial, com foco em uma navegação simples e acessível.
A proposta é que a ferramenta funcione como uma ponte entre informação, comunidade e rede de proteção, fortalecendo o acesso das mulheres do Coroadinho a conhecimento e orientação. A mensagem que conduz a iniciativa é direta: nenhuma mulher enfrenta a violência sozinha. A plataforma está disponível em casadaspretas.netlify.app.
Com informações da assessoria.
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