Arboviroses em São Luís: casos de dengue e chikungunya crescem em 2026, mas dados apontam desaceleração
Levantamento do sistema InfoDengue mostra aumento no acumulado do ano na capital maranhense, com tendência de estabilização a partir de agosto.

A capital do Maranhão registra alta nos casos de arboviroses em 2026, de acordo com dados atualizados nesta terça-feira (11) pelo sistema InfoDengue, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Atualmente, o município encontra-se em alerta amarelo para dengue, classificação que indica sinais de aumento na circulação viral.
Desde o início do ano, São Luís contabiliza 3.659 casos de dengue, valor 4,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Já os registros de chikungunya somam 703 casos, o que representa uma alta de 6,2% em comparação a 2025.
Indicadores apontam tendência de estabilização
Apesar do acumulado anual superior ao do ano anterior, os dados mais recentes do monitoramento indicam desaceleração no contágio:
Novos casos: Nenhuma nova ocorrência de arbovirose foi identificada na última semana epidemiológica.
Transmissão da Dengue: A taxa de reprodução (Rt) da dengue está em 0,32, valor abaixo de 1,0 que caracteriza redução na velocidade de contágio.
Transmissão da Chikungunya: O índice da chikungunya encontra-se em 1,06, o que sinaliza ritmo de aceleração na transmissão.
As condições microclimáticas de São Luís favorecem a proliferação do vetor. A umidade relativa do ar média na capital manteve-se acima do limite crítico de 78% — necessário para a manutenção do ciclo do mosquito —, atingindo pico de 94% ao longo de 2026.
O que é a dengue: transmissão e histórico no Brasil
Segundo o Ministério da Saúde, a dengue é uma doença infectocontagiosa causada por vírus do gênero Orthoflavivirus (família Flaviviridae). O agente transmissor no ambiente urbano brasileiro é a fêmea do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos conhecidos do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
Sintomas da dengue e sinais de alarme
A dengue aparece como uma infecção febril aguda. A caracterização clínica abrange:
Febre alta (entre 39 °C e 40 °C) de início súbito;
Dor de cabeça (cefaleia) e dor retro-orbital (atrás dos olhos);
Dores musculares (mialgia) e articulares (artralgia);
Prostração e astenia.
A recomendação das autoridades sanitárias para indivíduos que apresentem febre associada a dois ou mais desses sintomas é a busca imediata por atendimento médico na rede de saúde.
Período crítico
A fase de declínio da febre (entre o 3º e o 7º dia do início dos sintomas) exige atenção reforçada. Nesse período podem surgir sinais de alarme indicativos de agravamento do quadro clínico, fase em que a intervenção médica célere é determinante para evitar complicações graves.
Prevenção e vacinação no SUS
A vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2023, sendo integrada ao Calendário Nacional de Vacinação em fevereiro de 2024. Devido aos limites de capacidade de produção fabril do imunizante, a distribuição inicial atendeu a 521 municípios prioritários.
Especialistas em saúde pública ressaltam que a vacinação atua como medida complementar, enquanto o controle da densidade populacional do Aedes aegypti permanece como estratégia primária para a contenção de surtos de dengue, chikungunya e zika.
Conforme as diretrizes epidemiológicas, as ações de eliminação de criadouros possuem maior eficácia quando executadas nos períodos interepidêmicos (fora do pico sazonal), impedindo a formação de altas populações de mosquitos antes do período de maior circulação do vírus.
Recomendações de controle vetorial:
Vedação de caixas d'água, reservatórios e tonéis;
Limpeza e remoção de entulhos em recipientes que possam acumular água parada;
Desobstrução periódica de calhas, lajes e ralos;
Instalação de telas de proteção em portas e janelas;
Uso de repelentes individuais regulamentados pela Anvisa.
Veja o mapa completo da dengue no Maranhão na seção de SERVIÇOS do SuaCidade.com.
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