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Senador Roberto Rocha afirma que CPI do BNDES não vai perseguir empresas

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Senador Roberto Rocha afirma que CPI do BNDES não vai perseguir empresas

A CPI do BNDES ouviu na última terça-feira (12) o superintendente de relações com empresas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Fernando Vieira, que explicou como é feita a fiscalização das companhias com ações no mercado e falou sobre operações do grupo JBS com o Bndespar.

O relator da CPI, senador Roberto Rocha (PSB–MA), quis saber da CVM se ninguém desconfiava de irregularidades nos aportes vultosos do banco público para a empresa e afirmou que a comissão não será um “palanque” ou “um circo”.

O senador disse que a CPI não tem o objetivo de prejudicar as empresas. Segundo ele, os gestores que cometem desvios de conduta devem ser punidos, mas as empresas devem ser preservadas:

“A nossa CPI tem um objetivo muito definido e um prazo determinado para funcionar. Começamos a dar desde o princípio, o tom da CPI. Não é um palanque. Não é um circo. Não temos um alvo determinado. Nosso alvo é esclarecer os fatos sem o objetivo de aniquilar ninguém, muito menos empresas. Se  tem pessoas que administram empresas e cometem desvios de conduta, elas devem ser punidas, mas a empresa, não. A empresa tem a ver com a nação, com a previdência, com os tributos; tem a ver com os funcionários. Precisamos ter cuidado com isso. O desafio do século é gerar emprego. Então não podemos fechar empresas, ter empresas como alvo de perseguição política. Não posso concordar com isso. A CPI do BNDES vai seguir seu caminho fazendo um trabalho sem alarde. E que no momento adequado, que precisar ter mais calor do que luz, é porque estamos chegando perto dos problemas que serão identificados, comprovados e apresentados a sociedade.”, disse o senador.

Sobre uma eventual convocação dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, Roberto Rocha ressaltou que a CPI vai atuar com cautela:

“Nesta semana aprovamos requerimento convocando o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ex-ministro Guido Mantega, porque foi dito pelo diretor do BNDES que as decisões dos empréstimos para investimentos no exterior não eram decisão do banco. Eram decisões do governo. É evidente que estamos chamando os agentes de governo para falar sobre isso. E vamos convocar também o ex-presidente Lula, responsável pelo governo. Vamos tentar esgotar o tempo passo a passo. Creio que nossa direção é a mais correta. A de ir com cautela, fazendo os exames das questões, investigando, para poder atingir nosso objetivo.”, finalizou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito do BNDES foi instalada em agosto para investigar irregularidades nos empréstimos concedidos pelo banco no âmbito do programa de globalização das companhias nacionais.

O propositor, senador Roberto Rocha sugeriu atenção especial à linha de crédito para a internacionalização de empresas operada a partir de 2007, ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi essa linha de crédito que permitiu aos irmãos Batista, donos da JBS, internacionalizar suas operações por meio da compra de frigoríficos em diversos países, com destaque para os Estados Unidos.

Além de financiar as aquisições da JBS, o BNDES ainda comprou participação na empresa por meio da BNDESpar, uma subsidiária. Hoje, o banco detém 23% do capital da JBS. Após investigações, o Tribunal de Contas da União (TCU) estimou em R$ 711 milhões o prejuízo até aqui acumulado pelo BNDES com essa parceria.

 

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