Sobe para mais de 20 o número de mortos pela violência no Sudão do Sul

A Missão da ONU no Sudão do Sul (Unmiss) confirmou a morte de 20 civis em confrontos na cidade de Akobo. A base militar das Nações Unidas na cidade foi atacada, nessa quinta-feira (19), por um grupo de aproximadamente 2 mil jovens armados que dispararam contra o local.
A Unmiss afirmou que os jovens, da etnia Lou Nuer, cercaram a instalação militar e abriram fogo contra civis sul-sudaneses da etnia Dinka, que buscaram abrigo na área mais cedo. Segundo a missão da ONU, dois soldados da Unmiss também foram mortos. Os militares, que pertenciam ao Batalhão da Índia, morreram em combate ao defender a base do ataque.
Soldados da paz ajudam deslocados no Sudão do Sul. Foto: Unmiss
As autoridades disseram ainda que um terceiro soldado da Índia ficou ferido e foi levado para a instalação médica da Missão em Malakal. O Conselho de Segurança se reuniu em sessão de emergência, esta sexta-feira, e o presidente do órgão, o embaixador francês Gérard Araud, condenou a violência em Akobo e que continua em várias outras partes do país.
O Conselho pediu a todos envolvidos na crise que evitem mais violência e busquem uma solução pacífica para resolver a situação. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, está profundamente preocupado com a crescente violência, com os abusos dos direitos humanos e com os assassinatos causados pelas tensões étnicas.
Ban exigiu que as forças do governo e da oposição respeitem os direitos dos civis e garantam sua segurança. A ONU calcula que 35 mil pessoas estejam abrigadas na base da Unmiss em Juba.
Num esforço conjunto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou que já começou a distribuir comida para mulheres e crianças deslocadas por causa do conflito. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, levou comida para os abrigados na base. E a Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que o hospital da cidade já recebeu 400 pacientes, metade com ferimentos graves.
O Secretário-Geral afirmou que a Missão da ONU no Sudão do Sul está fazendo tudo que pode para proteger os civis, como também os trabalhadores da organização e de ONGs internacionais.
Ban disse que a Unmiss tem mais de 6,8 mil soldados e policiais espalhados pelo país, que se tornou independente há menos de três anos. Segundo relatos da mídia, os confrontos começaram no domingo quando o governo do presidente Salva Kiir informou que soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, demitido em julho, tentaram realizar um golpe de Estado.
O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, afirmou que a violência está se espalhando e é necessário que os líderes e políticos sul-sudaneses façam um apelo à paz. Além disso, Eliasson disse que eles devem pedir a seus simpatizantes e seguidores que suspendam todas as hostilidades. Para o vice-secretário-geral, o diálogo político é a única forma de se evitar uma escalada da violência.
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