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Técnico brasileiro atingido por disco diz que lançamentos são seguros

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 Técnico brasileiro atingido por disco diz que lançamentos são seguros

A morte de um juiz atingindo por um dardo durante uma competição juvenil na Alemanha chocou o público e reacendeu a preocupação com as provas de lançamento no atletismo. Apesar de incomuns, acidentes do tipo já aconteceram no Brasil.

Uma das vítimas foi o técnico José Antônio Rabaça, que foi atingido por um disco por um decatleta que treinava com ele em 1985.

“Ele estava com o pé torcido ou qualquer coisa do tipo. Então começamos a treinar o lançamento do disco parado: da gaiola, lançava para o meio do campo e depois buscava com um carrinho que tinha lá. Quando ele terminou, mandei recolher os discos e fazer um trote. Mas, ao invés de levar com o carrinho, ele lançou o disco para a gaiola. Um deles saiu errado e me pegou.”

Rabaça foi imediatamente nocauteado pelo disco, que pesa 2 kg e é feito de madeira rodeada por um aro de metal. Levado ao hospital, passou 16 dias na UTI e demorou dois anos para se recuperar totalmente. Mesmo tendo perdido 12 centímetros ósseos na cabeça e sofrido um pouco com esquecimentos e dificuldade com a noção de espaço, hoje ele se encontra totalmente recuperado.

Trabalhando atualmente na equipe BM&F Bovespa, a maior do Brasil, o técnico garante que não ficou com nenhum tipo de ressentimento com o atleta que o acertou ou trauma psicológico. Tanto que Rabaça acredita ter ocorrido algum erro humano na tragédia ocorrida na Alemanha.

“Essas provas são seguras. Alguém deve ter feito algo errado, seja o juiz que entrou no campo em um momento errado ou o atleta que lançou o dardo quando não podia. Uma bobeada.”

Superintendente técnico da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e um dos três brasileiros atualmente gabaritados como Oficial Técnico Internacional, o maior nível de arbitragem concedido pela IAAF (Federação Internacional de Atletismo), Martinho Santos concorda.

“Eu diria até que, neste acidente da Alemanha, há uma grande probabilidade de ter ocorrido falha do árbitro. Isso porque só pode entrar no campo depois que o dardo lançado cai, mas muitas vezes, os juízes gostam de chegar junto com o dardo para fazer a marcação. É excesso de confiança, mas às vezes ele pode errar o cálculo ou o vento mudar a trajetória do dardo.”

Santos indica ainda que a idade do árbitro morto (75 anos) também pode ter influenciado no acidente, já que geralmente neste tipo de função são designados juízes mais jovens por eles terem mais reflexo. Ele ainda acredita que tragédias como a de Dusserdolf podem ser evitadas somente com maior atenção dos juízes, já que é quase impossível um atleta lançar um dardo, martelo, disco ou peso fora da área de competição.

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