A um passo da falência, Eike pede recuperação judicial para OGX

Como já se especulava no mercado, o empresário Eike Batista (foto) entrou com pedido de recuperação judicial para a petroleira OGX, nesta quarta-feira (30), na 4a Vara Empresarial do Rio de Janeiro. No começo de outubro, Batista comunicou o mercado que não poderia arcar com o pagamentos dos juros e dos bônus de títulos assumidos no Exterior por sua subsidiária OGX Áustria. No comunicado, Batista pediu 30 dias para negociar os débitos com os credores mas na terça-feira (29), declarou que havia fracassado.
Se quebrar, a OGX dará um calote internacional de US$ 5,1 bilhões, recorde histórico na América Latina.
Do total de US$ 5,1 bi, a OGX deve US$3,6 bi em juros sobre os títulos emitidos na Europa. As ações da empresa foram cotadas a R$ 0,17. Com o pedido judicial, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é obrigada a bloquear a negociação dos papeis da companhia.
A gestão do plano de recuperação ficará a cargo do juiz Gilberto Clóvis Farias Matos. Eike Batista tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação da OGX. Caso contrário, será decretada a falência da petroleira. O processo de recuperação judicial é rigoroso e todos credores devem concordar com as medidas de salvação da empresa.
Assim que a OGX entregar o plano de recuperação judicial, os credores têm 180 dias, a partir da publicação do despacho do juiz, para aprovar a proposta em assembleia. Se algum dos credores contestar a proposta, a falência é decretada. Se o acordo for aceito, o plano terá de ser implementado à risca.
A um passo da falência
O brasileiro que já foi piloto de lancha off-shore (considerada a F-1 no segmento náutico), virou motivo de piada no cenário internacional. Uma publicação da agência econômica Bloomberg traz Eike Batista na capa, sob o título: “como perder US$ 37,4 bilhões em um ano”.
Na terça-feira (29), a petroleira anunciou que não conseguiu firmar um acordo com os credores depois de meses de negociação.
Em sua página na internet, OGX informa que tem recursos em caixa para operar apenas até o fim deste ano. A companhia ressalta ainda que precisará de US$ 250 milhões para cumprir as obrigações até março de 2014.
BNDES é sócio da OGX
Em nota, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem participação na petroleira, informou não ter concedido nenhum financiamento à OGX e, portanto, não tem qualquer exposição de crédito à companhia.
O BNDES destacou ainda que tem 0,26% de participação na OGX. Essa fatia, segundo o banco, representa 0,01% da carteira de ações da BNDESPar, braço da instituição que administra as participações em empresas.
Com AgBr
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