Você sabe a diferença de moda festa e alta costura?

Fazer roupa de festa não é fácil. A perspectiva de poder utilizar tecidos esvoaçantes, babados, bordados e brocados muitas vezes leva a equívocos irreparáveis. A tentação de misturar tudo em um modelo só é o caminho mais curto para o fracasso. E domar os desejos femininos diante da possibilidade de se vestir de ‘Deusa’ também requer uma boa lábia.
“Eu prezo sempre por falar a verdade”, garante Arthur Caliman , o estilista que virou sinônimo de moda festa no Brasil, há 12 anos no mercado e dono de uma eclética clientela. Na coleção de inverno apresentada em um desfile intimista, para clientes e convidados, em sua flagship de 3 mil metros quadrados, Caliman reforça sua premissa de que, em moda festa, não há tendência. Só desejos. “É o momento em que a pessoa quer brilhar, ela vai poder usar um decote, uma fenda, uma cor que não cabe no dia a dia”, garante.
Ele não se importa com o título de “moda festa” e aceita a apropriação francesa do nome alta costura, que define as criações feitas apenas em Paris, e em uma região específica. Em sua produção, ele vê uma moda festa acessível, no sentido de haver uma fartura de modelagens e possibilidades de cores. “O que define o dress code para um casamento, uma formatura ou um baile de debutante são as cores e os comprimentos”, ensina. E quando um vestido fica bom… não tem preço. A clientela investe, sem dó.
“A festa pode durar poucas horas, mas são ocasiões que ficam eternizadas.” Por isso, muita gente pede para ser fotografada com a roupa, em vez de olhar no espelho. “Elas querem saber como vão ficar na foto”, constata Caliman. Ele sabe que a expectativa e a preparação da festa é, para as clientes, mais importante do que a a festa em si. “Estão todas de regime, preocupadas com o cabelo, a maquiagem, os acessórios…” Em sua loja, ele oferece alguns itens além das roupas, como bolsas e sapatos. E, a partir de agora, também há uma linha plus size. O investimento no setor é para valer, tanto que Caliman está desenvolvendo uma coleção de cintas modeladoras (a ser lançada em 2013). A coleção vai do 48 ao 58 e há a possibilidade do sob medida.
Neste quesito, Caliman tem um aliado poderoso: um scanner em 3D que mapeia 400 medidas em 30 segundos, gerando um avatar virtual do corpo da consumidora. A máquina pode ser usada por qualquer cliente do sob medida, mas é ainda mais eficaz para a turma do GG, que, muitas vezes, exibem diferenças de até dois números entre busto, cintura e quadril. Se é que é possível falar em novidade e renovação na linha festa de Caliman (já que ele não se apega às ondas da moda), o que se viu de inédito na passarela foram os macacões plissados com muita transparência, e o uso liberado dos paetês. No mais, são roupas de festa como a mulherada mais gosta: muito brilho, muito decote, muita cor e algumas fendas, para as dispostas a fazer a Angelina Jolie.
Do lado da alta costura está Sandro Barros , que após ocupar por nove anos o cargo de estilista da Dasu Couture, acaba de inaugurar um ateliê em São Paulo, em parceria com Renata Queiroz de Moraes. Nas araras, vestidos glamourosos para ocasiões especiais. Há, também, a possibilidade de encomendar peças únicas, feitas sob medida, no andar superior do ateliê, no Jardim Paulista. O estilista vai lançar duas coleções por ano. A de estreia do ateliê é inspirada nos anos 1920 e 1950. O espaço traz também joias Isabel Esteves e sapatos e bolsas Jimmy Choo e Sandro Barros.
Mas por que Sandro Barros considera seu trabalho de alta costura e não moda festa? "Na alta costura, a gente preza pela técnica e cria modelos exclusivos. O grande diferencial é a técnica de costura. Os botões e colchetes são forrados, os drapeados são feitos à mão e o trabalho é quase todo artesanal. Usamos a máquina muito pouco, para bainhas e saiotes. Na moda festa, a grade é maior, há menos forros e estruturas e os bordados são mais simplificados." Um vestido de alta costura pode levar dois meses para ficar pronto - seis se for de noiva. Já um vestido de festa fica pronto em uma semana, pois a máquina é mais usada.
Apesar de o termo ter surgido na França e ser reivindicado pelos franceses como patrimônio cultural deles, Sandro Barros considera que há brasileiros cujo trabalho não deixa nada a desejar se comparado ao dos franceses. "É como a caipirinha. É um patrimônio cultural brasileiro, mas um francês não pode aprender a fazer? A alta costura pode ter sido criada por eles, mas temos toda a técnica e o cuidado no acabamento e na costura. São peças feitas à mão, com bordados, materiais de primeira qualidade, como cristais, seda pura brasileira, que é usada nos lenços da Hermès, rendas francesas e italianas." O estilista conta que já fez um enxoval todo de alta costura, com direito a pijama e camisola, para uma cliente que viajou num cruzeiro pela Croácia. "As peças eram todas feitas sob medida, com tecidos especiais, como o jérsei." Veja, na galeria, como é o ateliê de alta costura de Sandro Barros.
IG
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